Um influente comentador da televisão estatal russa sugeriu que a Rússia deveria considerar um ataque nuclear no espaço contra os satélites de Elon Musk, numa referência direta à constelação Starlink, operada pela SpaceX.
Em declarações divulgadas num vídeo que circulou nas redes sociais este domingo, Vladimir Solovyov questionou por que razão os satélites de Musk não seriam um “alvo legítimo” para Moscovo. “Uma detonação de arma nuclear no espaço, pelo que entendi, resolve esse problema”, afirmou o apresentador, conhecido pelas suas ligações próximas ao Kremlin, segundo a revista ‘Newsweek’.
A Starlink tem desempenhado um papel central no esforço de guerra da Ucrânia, sendo crucial para comunicações militares e para o controlo das suas extensas frotas de drones. A rede é composta por milhares de satélites em órbita baixa, mais próxima da Terra do que outros sistemas com funções semelhantes, o que a torna particularmente eficaz no campo de batalha.
Kiev tem afirmado repetidamente que forças russas utilizam terminais Starlink ao longo da linha da frente, incluindo em algumas das zonas mais disputadas do leste da Ucrânia. Elon Musk negou de forma categórica que o serviço esteja a ser vendido à Rússia e declarou, este domingo, que a SpaceX conseguiu travar de forma eficaz o uso “não autorizado” da rede por Moscovo, após novos protestos ucranianos.
Ainda assim, Solovyov reconheceu que um ataque nuclear no espaço teria consequências graves, incluindo a destruição de satélites russos. Num tom sarcástico, acrescentou que a Rússia poderia então recorrer a “pombos-correio”.
Agências de informações de dois países da NATO acreditam que a Rússia está a desenvolver uma arma antissatélite destinada a atingir a Starlink, revelou a ‘Associated Press’ em dezembro último. Esse sistema espalharia estilhaços nas órbitas da rede, danificando indiscriminadamente outros satélites próximos.
O comentador russo acusou ainda Musk de manter um “grande caso de amor” com o ministro da Transformação Digital da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, defendendo que Moscovo deveria impedir a militarização do espaço.
Na quinta-feira, Fedorov afirmou que as autoridades ucranianas contactaram a SpaceX depois de receberem relatos de drones russos ligados à rede Starlink a sobrevoar cidades ucranianas. Segundo o governante, Kiev apresentou “formas concretas” de resolver o problema. Fedorov agradeceu publicamente à presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, e a Musk pela “resposta rápida” e pelo início imediato dos trabalhos numa solução.
Em resposta, Musk afirmou que as medidas adotadas para bloquear o uso não autorizado do Starlink pela Rússia “parecem estar a funcionar”, acrescentando que a SpaceX estaria disponível para fazer mais se necessário.
O Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou, em comunicado no domingo, que estavam a ser observados “resultados reais” na limitação do acesso russo à rede, sublinhando que terminais não verificados seriam desligados. Um assessor de Fedorov, Serhii Beskrestnov, explicou que os detalhes técnicos dessas restrições não poderiam ser tornados públicos, por razões de segurança.
Analistas ocidentais indicaram recentemente que as tropas russas estão a utilizar cada vez mais o Starlink para aumentar o alcance dos seus drones de ataque. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos Estados Unidos, drones equipados com a rede podem alcançar até 500 quilómetros, colocando grande parte da Ucrânia, a totalidade da Moldávia e partes da Polónia, Roménia e Lituânia ao seu alcance.
Na sequência dessa análise, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, questionou publicamente Musk sobre a utilização do Starlink por forças russas. O empresário respondeu de forma dura, afirmando que o sistema constitui a “espinha dorsal” das comunicações militares da Ucrânia.
Entretanto, a imprensa estatal russa noticiou no mês passado que a Roscosmos, a agência espacial russa, planeia iniciar ainda este ano a produção em massa de uma alternativa nacional ao Starlink.














